Eles estavam nas ruas, nas esquinas, nas praças.
E também dentro das escolas.
Quem estudou nos anos 90 e início dos anos 2000 lembra bem. Se precisasse falar com os pais, não existia WhatsApp, celular no bolso ou ligação por aplicativo. Em muitas escolas, usar o telefone da secretaria simplesmente não era permitido. O caminho era o orelhão. Ficha, cartão telefônico, fila e pressa.
Durante décadas, o orelhão não foi apenas um equipamento urbano.
Foi infraestrutura essencial de comunicação.
Agora, oficialmente, ele está com os dias contados.
A Anatel iniciou a retirada definitiva dos telefones públicos em todo o Brasil. Até 2028, todos devem desaparecer. Um símbolo claro de uma era que funcionou muito bem… até deixar de fazer sentido.
E é aqui que começa o alerta que vai muito além da nostalgia.
Por que os orelhões estão sendo retirados do Brasil
Muita gente acredita que os orelhões estão acabando apenas porque “ninguém usa mais”. Mas a realidade é um pouco mais profunda — e mais parecida com o que acontece hoje com muitos negócios.
Os principais motivos para o fim dos orelhões são:
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A popularização dos smartphones e da internet móvel, que tornaram a telefonia pública obsoleta para a maioria das pessoas
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O fim das concessões do serviço de telefonia fixa, encerradas em dezembro do ano passado
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A mudança no modelo de contrato, que já previa a extinção gradual dos orelhões como contrapartida à modernização das redes
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A crise financeira da Oi, uma das principais responsáveis pela manutenção dos aparelhos, que enfrenta um processo de falência em andamento
Com o fim dessas concessões, operadoras como Oi, Telefônica, Claro, Algar e Sercomtel deixaram de ter obrigação legal de manter essa infraestrutura espalhada pelo país.
O sistema que sustentava os orelhões simplesmente deixou de existir.
Quando a estrutura cai, quem não evoluiu cai junto
O orelhão não acabou porque era mal feito.
Não acabou porque não funcionava.
Ele acabou porque o mundo mudou mais rápido do que a estrutura que o sustentava.
No auge, o Brasil chegou a ter mais de 1,5 milhão de orelhões em funcionamento, criados a partir do design icônico da arquiteta chinesa Chu Ming. Hoje, restam cerca de 38 mil aparelhos, dos quais pouco mais de 33 mil ainda funcionam.
Mas funcionar não é o mesmo que ser relevante.
Essa frase vale ouro para qualquer empreendedor.
Nem tudo some de uma vez. Algumas coisas apenas ficam para trás
Mesmo com a retirada intensificada a partir de 2026, cerca de 9 mil orelhões ainda devem permanecer ativos até 2028, especialmente em regiões com cobertura precária de sinal de celular e internet.
Onde ainda fazem sentido, eles continuam existindo.
Onde não fazem mais, desaparecem.
E essa lógica também se aplica ao mercado.
Nem toda estratégia serve para todo negócio.
Nem toda ferramenta é obrigatória.
Mas ignorar a evolução nunca é uma opção.
Orelhão ligado não significa negócio vivo
Aqui entra a comparação que dói, mas é necessária.
Hoje existem milhares de sites no ar.
Milhares de ecommerces abertos.
Milhares de perfis ativos nas redes sociais.
Mas quantos realmente vendem?
Assim como os orelhões, muitos negócios estão “funcionando”, mas fora da realidade do comportamento atual do consumidor. Estão no ar, mas não conectam. Estão visíveis, mas não convertem. Estão presentes, mas não são escolhidos.
Ter um site não é estratégia.
Rodar anúncio sem estrutura não é marketing.
Postar sem objetivo não é posicionamento.
Tecnologia não espera ninguém. O mercado também não
O fim dos orelhões é só mais um lembrete brutal de que o mercado não tem apego emocional. Ele não se importa com quanto algo foi importante no passado. Ele responde ao que resolve problemas agora.
Na Select, a gente enxerga marketing exatamente assim.
Marketing não é presença.
Marketing é relevância.
Marketing é sistema.
Marketing é conversão.
Site, ecommerce, tráfego pago, tecnologia e dados não são modinha. São a nova infraestrutura. Ignorar isso é como insistir em fichas telefônicas em um mundo de smartphones.
A pergunta que realmente importa
Os orelhões cumpriram sua missão.
Ajudaram gerações.
Marcaram época.
Mas o mundo seguiu em frente.
E agora fica a pergunta que todo empreendedor precisa responder com honestidade:
Seu negócio está evoluindo…
ou só resistindo?
Porque o mercado não avisa duas vezes.
Ele simplesmente avança.
E quem fica parado, inevitavelmente, fica para trás.

